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Há uns anos venho brincando de poker. Brincando mesmo, nunca ganhei nem perdi, já na bolsa não posso dizer o mesmo. O mais engraçado é que mesmo sabendo que pra um ganhar outro tem que perder, todos os meus amigos sempre ganharam e ganham…

Não caia nessa, pouca gente assume seus fracassos, mas TODO MUNDO fracassa ou fracassou em algum momento. E é muito importante saber que muitas vezes NÃO apostar em algo ou minimizar suas perdas já é uma vitória, aí é onde entram o poker e suas apostas.

Pra quem não conhece o jogo de poker é um jogo de cartas e apostas com n variações  de estilos, mas o importante é saber que nele se fazem apostas (bet) que podem ser igualadas, aumentadas (raise) ou simplesmente esconder (ou fugir – fold).

É também um jogo de sangue frio, estudar o adversário e blefar onde se acredito que minha mão é suficientemente boa ou melhor que a do adversário me ponho a medir forças apostando. Acontece em várias situações em que você deve saber reconhecer o risco, e os bons jogadores sabem disso, por isso quando têm muita carta na mão, normalmente, não apostam tudo de uma vez. Escoam as fichas aos pouquinhos atraindo a presa à sua armadilha em vez de pôr tudo de uma vez e o oponente fugir. Logicamente, quando há um kamikaze é outra cena, mas  numa mesa de gente com experiência a coisa flui com um pouco mais de cálculo.

Aumenta um pouco na primeira rodada e alguém lhe acompanha, logo aumenta um pouco na segunda rodada alguém lhe acompanha vai aumentando mais até o limite, quando os adversários vêem eles já estão atolados na aposta eles apostam mais e mais, dizendo: já perdi 50, perco mais 50, mesmo sabendo que não tem nada bom o suficiente e jogando onde poderiam perder apenas 50 ou menos se tivessem se conscientizado de que tinham pouco cerca das tantas possibilidades superiores às suas que estavam disponíveis…

A vida reflete o poker nesse canto da mesa. Muitas vezes, se tem uma noção do que é correto ou de como fazer as coisas e vão dispendendo energia e tempo nas questões de suas vidas. Quando aparece uma situação esdrúxula é fácil reconhecer o risco e logo caímos fora. Mas quando se trata de uma questão que fomos vivendo aos pouquinhos, que fomos dedicando energia por vezes e vezes, acabamos ficando atados e cegos, temos a tendência a preferir aumentar as apostas em vez de fugir. “Ah, já pus 5 ponho mais 5!” em vez de “Ah, já perdi 5, não tenho tanta chance, não vou perder mais 5” mesmo quando você já tem elevado grau de certeza que não vai ganhar. Sem contar a quantidade de rodadas em que os riscos são bastante superiores ao benefício.

Se os generais também o fizessem dizimariam todos os seus exércitos. Também temos que saber debandar. O orgulho mataria toda a tropa.

Levamos à cabo uma idéia, vamos até o final em coisas que já sabemos que não vão funcionar, coisas que nem nós acreditamos e pior, nem queremos que elas aconteçam. “Mas dar o braço à torcer é pra perderdores…”  Igualmente vejo as pessoas colarem a frase “Não quero ter razão, quero é ser feliz”. Quantas e quantas vezes as pessoas fazem isso desmedidamente, dizem pra todo mundo mas não são capazes de se convencerem. Ser feliz é saber abrir mão inclusive de tudo aquilo que você um dia acreditou, quando você descobre clara e racionalmente que estava errado.

Fico impressionado que classe de bobagens e mentiras colocamos em nossas cabeças e corações.  Na vida perdedor é aquele que não se ama e não têm capacidade de tomar decisões difíceis por amor. Nessa ordem.

Aquele que engole tudo seco, “pra ser feliz” em vez de ter razão não vai ser feliz porque, por vezes, estará deixando que seus valores sejam atropelados. Aquele que discutir por tudo e sem motivo, estará causando sofrimento sem fundamento e fazendo doer, muita gente guarda e nunca saberemos o tamanho do estrago. Quantos oprimidos queremos ter ao nosso lado? Ou como viveremos felizes oprimidos? Quantas vezes vamos perseguir coisas que no fundo não queremos? Quando é que vamos nos olhar e dizer: poxa, passei todo minha vida dizendo que ela era “a pessoa” e agora eu vejo que não era tudo isso, senão eu mesmo que estava cego? Quantas vezes vamos dizer que o maior sonho da gente é ser chefe, ou ser dono do próprio nariz, quando a gente precisa de alguém todo o tempo nos dizendo pra que direção toar? Quantas vezes vamos gastar e mais gastar dinheiro e tempo para sair com um amigo que o seu coração vive dizendo “não devo estar com essa pessoa”; “essa pessoa só me traz coisas ruins”?  Até quando vamos contar as nossas vantagens e vantagens enquanto dentro no ouvido a voz soa “não é bem assim e você sabe!”. Até quando você vai dizer que gosta dos Beatles ou do U2 se eles não têm nada a ver com você e você mal consegue terminar de ouvir uma música deles? Até quando você vai fingir que tem amigos e continuar comprando-os, e mais comprando-lhes para não ter de encarar a verdade? Até quando você vai levar adiante esse desejo de casamento, quando no íntimo sabe que só está fazendo isso para a pessoa não poder fugir e você poder dizer que foi abandonado…?

Até quando vai continuar dizendo que está feliz no seu emprego só porque ganha bem? E quanto mais te promovem mais vai se afundando e menos coragem para mudar?

Quantas vezes vai aumentar as apostas e perder e mais perder apenas para ter razão?

Nunca na história nenhum bobo da corte converteu-se em rei.

Os reis não perdem, eles cedem.

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É praxe na minha vida as pessoas me dizerem que gostariam de ter as coisas tão claras como eu as tenho. Mas a grande verdade é que eu também tenho muitas e muitas dúvidas, muitas inseguranças e medos. Talvez até mais que a média. Mas há uma coisa comigo, a intuição. Dela as respostas vêm de dentro ou do que aprendo pela vida.

Quem me conhece sabe que não sou nada fã do Paulo Coelho, mas o livro “O Alquimista” fala, de maneira prática, como funciona “ouvir o coração”. Ele chama de “exercer a Lenda Pessoal”, o que muita gente entende por destino, mas na verdade é o aprendizado que cada um necessita, que pode vir de várias formas, com diferentes graus de dificuldade cada um tem a sua maneira de buscar paz interior.

No livro, durante o caminho o rapaz encontra a mulher da vida dele, mas a sua realização estava em chegar ao Egito quando o Alquimista lhe diz: você pode deixar de ir até as pirâmides para ficar com a moça do deserto. Passarão anos de felicidade e entusiasmo e então o tempo fará suscitar dentro de você a necessidade, curiosidade e a sensação de que você ainda deve ir até lá. Onde no caso, ele apenas retardaria a execução da sua verdadeira inquietude para ficar com algo importante, mas que não supriria o vazio dentro dele e, ainda assim, quanto mais velho ele ficasse, mais difícil seria o transcurso desse caminho.

Simplifiquemos isso como: escolher o caminho do amor, ou caminho da dor.

Na vida acontece o mesmo, muitas vezes já temos todas as respostas que precisamos, mas muitas vezes nos negamos a aceitá-las; o que é bem diferente de não tê-las. Quer acreditemos quer não, a evolução é obrigatória e imparável, mas o discernimento é nato em todos os seres humanos. Até o mais ignorante, sente o que lhe faz bem e o que não.

Lembro-me da história de um amigo que pedia à todo mundo que o ajudassem a encontrar um emprego e muitos se mobilizavam a ajudá-lo mas, até no mais favorável dos cenários nada dava certo. Vendo a tristeza dele e a mentira que se vendia lhe disse: “você diz que quer arranjar um emprego, mas é que você parece tão à vontade parado… sinto que cada vez que alguém diz que você tem que fazer uma tarefa mais chata, você torce o nariz… daí fica complicado, né!? Porque afinal é você mostrando pro entrevistador que está tão bem parado.”

É óbvio que depende do mercado, da vaga, das competências da pessoa, mas quando alguém te dá a oportunidade e você tem as competências, ainda existe o fator “será que eu quero mesmo?”. Afinal, já imaginou se der certo!? Vou ter que me esforçar e pior que medo de dar errado, é o medo de dar certo.

O mesmo acontece quando alguém diz que não te quer e você insiste irracionalmente. E sofre. Por isso, uma coisa é dizer “não sei o que está acontecendo”, outra bem diferente é, “não quero aceitar o que está acontecendo”. E posso estender a outros muitos casos: gostar de alguém que não gosta de você, querer mudar a essência dos outros para não ter que desfazer-se de amizades, aceitar que tem dificuldades de se relacionar, aceitar que tem dificuldades de perdoar, ou de esquecer coisas do passado, aceitar que não tem amigos por uma maneira de agir, aceitar que certas atitudes afastam as pessoas que querem nos ajudar, etc etc etc. “Ouvir o coração” é também compreender-se, olhar pra dentro e reconhecer o que é que realmente nos faz feliz na essência. Dizer, eu sei que não estou afim de trabalhar, mas eu preciso e fará muito bem pra mim pois permite que eu me realize. Dizer eu estou cansado de mentir pra mim, e se eu me aceitar como sou ajuda muito a saber que tomar.

Para aquele amigo que dizia querer, mas não agia como quem quisesse mudar, eu sugeri que fizesse uma coisa quando ele chegasse em casa. Logo depois que fizesse as tarefas do seu dia, e não fosse mais sair de casa, fizesse um pequeno teste:

– Olhe-se no espelho e diga “eu quero trabalhar”. Olhe pro seu rosto por um tempo e veja se você consegue convencer a si mesmo.

Mesmo que ele tentasse encenar, veria que com o passar dos minutos, não conseguiria suportar aquela pose astuta. Até porque seria ele mesmo escondendo-se as coisas e quando a sua real sensação interior viesse pra fora ai saberia o que é que as pessoas viam nele que lhe impedia que tudo desse certo. Era aquela pequena levantada de sombrancelha, era aquela pequena torcida de lábio, era aquela desculpinha que mostrava a falta de interesse, a falta de ânimo, a incongruência entre vocalizar e realizar.

Com relações é o mesmo, não!? Olhe-se no espelho e diga: poxa, mas toda vez sou eu quem chama a pessoa pra sair, toda vez ela me dá mil desculpas, toda vez há algum problema, toda vez eu tenho de convencê-la, será mesmo que ela quer andar comigo? Ou então, a pessoa evade toda vez e você… “imagina, tá tudo bem!”. Chega ao fim do dia e você tem a sensação de que não está feliz. Ora… ora… por que será?

Será que você não tem a resposta, ou será que não quer aceitá-la?