Odeio gente burra!

Ouvir isso pra mim é uma agressão que posso sentir no corpo.

Durante muito tempo quando falava de algo, ou mostrava um trabalho pra alguém, ou mesmo ensinava meu pai a mexer no computador tive o hábito de dizer “não é possível que você não saiba isso!” , “porra como você não entende isso?” ou mesmo “eu não aguento gente burra”, quando a pessoa não entendia ou ia mais lenta.

Se eu pudesse voltar atrás eu mudaria cada segundo onde eu disse ou pensei assim.  Toda vez que alguém faz esse tipo de coisas, está sendo altamente incompreensivo mostrando falta de paciência, empatia e conhecimento.

Principalmente na escola, a inteligência lógico-numéricas é bastante mais demandada e avaliada mas na vida as motivações e demandas são diferentes. O mais engraçado é que quase todo mundo já afirmou “uma prova não pode avaliar uma pessoa”, mas sob a mesma forma de avaliar já reprovou várias pessoas.

Tive a oportunidade de perceber essas reprovações que fiz, sentindo cada um dos seus efeitos quando fizeram o mesmo comigo, e creio que delas o preconceito seja realmente a pior. Pior é quando a pessoa precisa fazer determinada coisa pra viver, ou aprender algo rapidamente pra continuar empregada, ou em qualquer situação de desvantagem e alguém a humilha e a pessoa se sente a pior das mortais, se diminui, fica com medo, se preocupa ou então fica com raiva. Nem todo mundo reage positivamente, afinal a maioria das pessoas é ruim com críticas. Incluo-me.

Em geral, quem comete esse tipo de “injustiças” costuma também ser quem mais sofre quando recebe nem metade do mesmo, como quem mais critica os outros no trabalho é quem reage pior à qualquer comentariozinho, como quem mais faz falta jogando bola é também quem mais reclama quando apenas lhe encostam (repare). Ninguém tem o direito de diminuir os outros porque as pessoas já têm suficientes desafios com seus próprios defeitos. Toda vez que nos comparamos com alguém somos mais ou menos que alguém, quando na verdade cada um de nós é único e composto por situações, experiências e aptidões diversas.

É um fato interessante que as pessoas que mais contam vantagem também costumam ser as pessoas mais inseguras, as que esfregam o que têm na cara dos outros, são as que mais sofrem com o que elas não têm, aquelas que não costumam ter pena de ninguém costumam ser aquelas que mais têm pena de si mesmas. Sem nem perceber, os “espertões” pedem desesperadamente pra vida trazer tristezas suficientes pra aprender a se respeitarem não se comparando PRINCIPALMENTE,  porque é impossível fazer isso já que a gente não conhece todas as inteligências que essa pessoa possa ter.

É possível quantificar coisas, somos educados para quantificar coisas: dinheiro, tempo etc etc. Mas nem tudo é escalar, nem tudo é definido por um número. Muitas coisas precisam ter um sentido e por isso podem se comparar com as grandezas vetoriais como, por exemplo, uma força. Não basta saber quanto se não souber pra onde.

Uma pessoa pode ter facilidade pra resolver um cálculo mas pode ser um mamute conversando com alguém que, por sua vez não lide bem com pressão. Em outros casos, pode ser fantástica com pessoas e não conseguir pagar uma conta de banco sozinha, ser genial individualmente e ser uma mula trabalhando em equipe. E isso acontece porque existem outras formas de inteligências que não tem nada a ver com a memória ou com a lógica.

Por essa razão, toda vez que vier em seus pensamentos “ah mas é que o fulano não é capaz e eu sou o fodão”, “eu sei e você não sabe”, “não é possível que você não saiba”, “eu odeio gente burra”; “eu tenho tudo isso e você não tem bosta nenhuma” etc etc  lembre-se que em vários momentos você também se sente “pobre”, também sente medo, também tem dúvida e por isso ser um pouco indulgente com as pessoas pode ser o primeiro passo pra incentivar ao mundo a mudança que você quer ver.

É bom saber também, que todo esse processamento de emoções acontece no sistema digestivo. Toda o confronto entre o que as coisas realmente são e o que nós gostaríamos que fosse é sentido no estômago, por exemplo. A falta de compreensão e de aceitação, inclusive aceitação de nós mesmos nos torna mais ansiosos e mais inseguros, e por isso geralmente a gente sente tudo na “boca do estômago”, seja uma pressão, gastrite, intestino preso, etc de acordo com a intensidade da reação de cada um. Por isso pra viver melhor, depois de aprender a se amar, é necessário aprender a não se comparar, porque só quem compreende que é um ser único alcança seu próprio máximo. E, se as pessoas não o virem, você sentirá interiormente, por fim sendo o único que está dentro de você mesmo, de que servirá a ser melhor ou pior que o outro?

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