“Um favor pode te matar mais rápido que uma bala” (Marlon Brando – O Poderoso Chefão)

Começo o post com essa frase do Marlon Brando, acho que só a frase em si já diz muito. Muito do que é dar, muito do que é receber e sobre tudo quando a cobrança é exagerada: a máfia.

A palavra máfia tem origem árabe que quer dizer “alarde agressivo” ou pode significar “rejeitado”, será por acaso? Não será.

Há varias formas, pessoas que se propõem a prejudicar, pessoas que não se propõem a nada, pessoas que se propõem a ajudar. Prejudicar nem merece comentários é uma maneira “genial” de desperdiçar tempo produzindo lixo, ser neutro é menos mau mas a omissão também é uma responsabilidade e por fim as pessoas que ajudam: por ajudar ou para benefício próprio.

Muitos já entendem que há necessidade de ajudar, e muitos ajudam pois é “dando que se recebe” e o fazem muito mais pelo que se recebe. Assim são as campanhas políticas, assim são as empresas oportunistas, quem não compreende a solidariedade e assim também é a máfia. É perfeitamente compreensível que as pessoas ajudem de maneira egoísta: seja para obter benefícios e votos (mesmo fora da política) quanto para não ir pro inferno, por exemplo. Estendendo a mão para não ir pro inferno é um ato de temor e não de benevolência. É um ato egoísta olhando de maneira ampla, pois só é feito porque mais adiante esse benefício retornaria. O extremo disso é cobrar que a ajuda retorne.

Ajuda tipo máfia pede aclamação e cobrança veemente. É aquela onde o ajudado se arrepende de ter precisado, talvez até de ter nascido. Pra notar isso  basta reparar que custa emocionalmente para que a pessoa possa retribuir, às vezes até moralmente e o necessitado se sente em dívida: resolve um problema nasce outro.

Não, não é essa a lição! Nós vivemos aqui nesse planetinha meia-sola onde é complicado ser bom por ser. É preciso esforço aliás é por isso que se chama uma planeta de provas e expiações. A lição incide em ajudar por conta do amor puro e simples, onde o único benefício que se recebe em troca é o que a própria pessoa que ajuda sente fazendo a caridade. E não é a caridade lá de longe não… doar milhões, fazer trabalho social. Não! Às vezes é apenas escutar alguém ou mesmo dar uma ajuda pra finalizar aquele trabalho difícil ou até ajudar a tirar o seu amigo do quarto (ou do orgulho) pra procurar um emprego e conquistar um pouco de dignidade, é reconhecer as situações e promover um ambiente de paz onde as pessoas não se sintam menos do que você ou do que nós… parece pouco mas não é, porque é da falta desse pouco que nascem os rancores.

Às vezes penso que estou ajudando um amigo, quando na verdade eu é que estou sendo ajudado. Acabo fazendo um novo contato, ou acabo não ficando parado, ou me sinto ativo e útil não sobrando tempo para pensar em bobagem, ficando cansado pra dormir tranqüilo, deixando de pensar na saudades e nos meus próprios problemas.

Doar é um ato de amor, receber é um ato de aceitação.

A alma solidária nunca espera a troca, pois é de esperar a volta do favor que nascem ansiedades, arrependimentos e desapontamentos. Aquele que aprende a não esperar, aprende a ser livre e vê uma velha agonia transformar-se em uma boa nova.

Praticando isso se entende que a caridade não tem um fim egoísta e não se dá através do retorno que se obtém, você aprende que não socorre alguém porque não queria ter a mesma doença, mas porque talvez você jamais a terá pra saber o quanto é sofrido. Você auxilia alguém limitado, não porque você poderia ser limitado, mas porque você compreende a tristeza de quem se sente limitado. E faz tudo isso por amor, sem olhar a pele, a raça ou a opção sexual, por que a necessidade não faz filtros e à tristeza não tem cor.

Nos desafios, na arte ou na ciência aqueles que trabalharam sem amor, nunca fizeram a diferença. Se nós conseguirmos sentir prazer em fazer o que devemos, a evolução e a retribuição estarão na própria ação e nunca na sua reação.

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