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Muitas idéias vieram na minha cabeça entre um post e outro, mas talvez fosse esse mesmo que tivesse que sair.

Entre acreditar ou não acreditar na vida após a morte, e falar disso levianamente, há um bocado de diferença…

Muitas religiões e muitas pessoas acreditam que a vida acaba aqui. Várias tiveram o interesse de que a vida acabasse aqui. Ou, que as pessoas pelo menos acreditassem nisso.

Talvez para colocar medo nas pessoas e dominá-las mais facilmente- Talvez para falar do desconhecido quando as pessoas tivessem medo e fossem o melhor possível nessa vida. Fora isso há os que se auto-flagelem: “sou um pecador, não mereço perdão”, “irei para o inferno”, “vou explodir um caminhão porque do outro lado da vida tem 50 virgens me esperando”. Ai vão também em linha os psicólogos, já que o conceito da morte é adquirido e dizem que dele vêm muitas fobias.

Do outro lado do ringue, há religiões espiritualistas que crêem na vida após a morte, na reencarnação da alma seja em outras formas de vida ou não.

De uma forma ou de outra, me espanta ver que, tanto umas quanto outras induzem ou levam as pessoas a viverem para a vida eterna. para o pós-morte. Fazendo com que as pessoas sejam boas para o que serão em outras vidas. Fazendo um bem que é muitas vezes relativo, criando imagens, gerando falsos solidários e falsos ajudados.

Da minha parte, e falo em tom de desabafo, penso que é preciso algum conhecimento de religião ou algumas leituras para entender do que eu estou falando, mas exerço meu direito de expressão dizendo que me soa genial que as pessoas acreditem na vida após a morte, porque afinal há muitas coisas que acontecem neste mundo que não têm explicação como um natimorto, ou alguém que nasce com uma doença rara sem ter feito nada para merecê-la. Isto tem de vir de outra existência senão a força superior que cada um considera não seria predominantemente boa.

Há também as pessoas que se atiram à vida espiritual descolando-se totalmente da vida material, ou melhor dizendo, da vida carnal, de forma a perder os estribos. Vivem no mundo da lua, alguns se tornam 100% exotéricos sem se questionarem das coisas, esquecem de suas obrigações materiais, esquecem que o trabalho é uma ferramenta de aprendizado e convivência, que a vida em grupo é um crivo da evolução e da empatia, que o cumprimento das obrigações físicas também ajudam ao equilíbrio mental (ou alguém consegue pensar com fome?), etc etc

Nós devemos sim ter um lado espiritual e até podemos acreditar numa vida após a morte, porque isso traz alívio e paz de espírito, principalmente aos que se sentem injustiçados aqui. Mas devemos trabalhar para esta vida, esta existência, logo trabalhar também para os injustiçados daqui. Porque é aqui que estamos! E aqui a certeza é que a carne morre e só dura um par de horas fora da geladeira.

Aos que nascem sãos e capazes, que não se culpem, se estraguem ou se martirizem toda uma vida por serem pecadores, entregando-se à pobreza, se punindo ou qualquer coisa do gênero. Mas que não humilhem, criando novas formas de aliviar o peso dos amigos.

Não sabemos nada daqui, imagine de lá. Não sabemos contornar o ódio, não sabemos perdoar, somos tão limitados que não entendemos que o perdão é bom pra quem perdoa, e não para o perdoado. Somos tão limitados que conhecemos gente do outro lado do mundo melhor que a pessoa que senta todo santo dia do lado no metrô. Aliás, alguém já reparou como nos sentimos quando alguém fica te olhando querendo sentar no lugar onde você está sentado? (Por acaso é gostoso?) E se naquele dia a pessoa que está sentada, apesar de ser mais jovem, tem mais problemas? Mais dores? Tem que levantar para um velhinho ativo que dormiu 10 horas e está a todo vapor?! Isso só acontece, porque nossas leis são como nós: limitadas.

Nós só conseguimos entender o conceito de sermos melhores quando nos comparamos aos outros, não temos capacidade de ser melhores que nós mesmos, ou que nossos próprios máximos. Não somos melhores para nós nem para um raio de 1km ao redor de nós e queremos ser melhores para a outra vida?!

Acorda cacete!

Comece a se questionar! Se o que vc faz aqui, faz bem feito, faz por amor, o que vier depois é resultado de um esforço válido.  Faça um bom trabalho sem seu chefe estar olhando, e já verá que independente do reconhecimento você sentirá segurança em relação à qualidade do que constrói.

Assim você não será frágil, e só algo forte pode ser eterno.

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