Fernando Pessoa paulo-coelho

Há algum tempo eu tenho tanta coisa na cabeça se misturando que eu gostaria de falar um pouco de cada, mas por incrível que pareça fiquei sem saber o que escrever.

No post passado e a diário venho pensando nesse tema:  aprender x esquecer. Onde ‘aprender’ que digo, está muito longe de sentar numa sala de aula, ler a internet ou um livro. Essas podem até ser as fontes, mas quero dizer, conhecimento orgânico, aprendizados que somos capazes de ensinarmos a nós mesmo e, em seguida, articular o tema quando em voga, ou quando alguém necessite.

Uns dias atrás, minha amiga Maria Helena me mandou um texto que caiu como uma luva. De início a pessoa que montou o powerpoint se equivocou e deu a autoria ao Paulo Coelho, mas que na verdade era do Fernando Pessoa. (O tema Paulo Coelho vou tratar no final, se é que interessa).

Às vezes é preciso obter experiências e ver as coisas pela visão dos outros pra sairmos de nossas próprias armadilhas. Tenho certeza que eu como muitos gostaríamos de ter a simplicidade e a força que vem com o que escreveu Pessoa, mas de minha parte posso dizer que, se o sentirmos mais do que lê-lo, essas coisas se incorporam ao que somos. Ser livre é também saber libertar, começar ciclos é também encerrar outros:

Encerrando ciclos

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu….
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora…
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração… e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão

Fernando Pessoa

Bla bla blá sobre P. Coelho:

Faz tempo eu tenho um pouco de birra dele, só porque, em minha modesta opinião, ele tem boas idéias, boas histórias, conhecimento espiritual e alquímico mas tá muito longe de escrever bem; e o pior, ele entrou para a ABL! Isto sim me indigna!

Para mim se Mário Quintana não pode entrar,  Mr. Merlin canarinho também não pode. É uma questão de nível, não de fama.

À posteriore, verifiquei que o Sarney também entrou para a ABL. Sim, o Sarney! Com um único livro (isso mesmo, ele só escreveu 1! E é um literato!)  que por acaso eu não li, e até posso estar enganado, mas só pelo jeito que ele fala… já imagino.

Por isso digo, minha birra se transfere então à ABL. Não tenho nada contra o P.C. Potter,  até gosto das suas histórias e ajudam a muita a gente a se iniciar nas ciências ocultas, espiritualismo, etc. Mas convenhamos, escrever como Fernando Pessoa é uma arte, é uma lisonja, é como se sentir elogiado. E agradeço à ele, esteja onde estiver, por ter se dedicado a traduzir tanta coisa útil, e por escrever algo tão quântico que nos veio transmitir 75 anos depois de sua morte aprendizados tão importantes.

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