garranchera

A comunicação é um processo onde alguém expressa e alguém recebe.

Acontece algumas vezes na vida, ou todo o tempo nos comunicarmos e ter que responder algumas perguntas extremamente básicas sobre uma mensagem básica, ou mais ainda, termos que lidar com reações bastante contrárias ao que esperávamos.

Isso acontece por dois motivos: a disparidade do conhecimento entre o que comunica e o comunicado; e pela comunicação de maneira desproporcional à quem recebe.

A “maldição do conhecimento” é um fenômeno que ocorre quando a pessoa que passa a mensagem conhece bem um determinado assunto ou fato que descuida de passar detalhes importantes ao cliente de uma informação. Resumindo, é igual escrever garranchado, tá tudo escrito, mas só você entende.

Alguém te diz: Chegando lá, no primeiro andar à direita.

Estaria perfeita mensagem se para subir não houvesse um elevador de frente para o outro. Porque ao sair, qual é a direita que a pessoa disse? Muitas vezes, a pessoa que pega o elevador todo dia está tão acostumada, que nem lembra de dizer qual lado, ou qual porta, ou que pra que o elevador suba deve-se virar a chave ou apertar um botão que fica bem na cara; detalhe, se o botão tivesse mega escondido ela avisaria. Aí incide o pior erro.

Comunicar assim é praticamente trocar de marcha sem pisar na embreagem; até entra, mas custa! E tem mais, custa para o carro e custa pra nós que somos os beneficiários do carro que vai se desfazendo à cada mal comando dado. Ou seja, ruim pra quem recebe, ruim pra quem passa. Se parasse aí, estaria bom. Mas aí eu, que não parei pra notar se eu to contando pra pessoa uma história em que eu estava lá e ela não estava, se eu li o livro que ela não leu, se eu fiz uma pergunta que ela não sabia, se eu não sabía de algo que a pessoa não sabia e ainda fico nervoso com a pessoa. A pessoa por sua vez, se sente perdida, desorientada e algumas vezes até humilhada.

Obviamente é ótimo quando alguém entende tudo que a gente pensa sem ter que explicar muito. Isso é afinidade. Mas é muito importante, produtivo e até solidário nos importarmos com a base de quem recebe uma informação. Se é um público grande, mesmo que algumas coisas pareçam estúpidas ou óbvias vale a pena mencioná-las. Se é um pequeno grupo, é importante mencionar o conteúdo básico esperado, texto ou base de informação de onde se considera mínimo para que o assunto caminhe. Igual quando se começa uma fofoca e se explica quem é filho da fulana, o amigo da ciclana, a mocinha da saia curta amarela, etc etc… Se é direto para uma pessoa, é, não apenas importante certificar-se que a pessoa entende o que se está dizendo, mas se possível até escolher a intensidade das palavras para que ela receba melhor.

No fringir dos ovos (horrorosa expressão que minha ex-colega de trabalho usava) quando usamos uma pequena empatia e nos certificamos que a(s) pessoa(s) não detém tal conhecimento, ou se somos compreensivos com suas perguntas “bestas”, uma série de complicações se dissolvem, a vida se simplifica e como diria nosso amigo mente brilhante… na teoria dos jogos o resultado final máximo é a soma dos benefícios individuais máximos

Posted by Cassio

Anúncios